"Acho que em qualquer época eu teria amado a liberdade; mas na época em que vivemos, sinto-me propenso a idolatrá-la"
(Tocqueville)

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Quem são os culpados da morte do adolescente?

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É fácil responder à pergunta “de quem é a escola?” Ora, a escola é o espaço de quem quer ensinar e aprender. Aqueles que transformam o espaço da escola em instrumento de reivindicações políticas (ainda que possivelmente legítimas) e, portanto, causam prejuízo aos alunos interessados na regularidade do ano letivo não são os únicos donos da escola — e por isso são usurpadores de um espaço público que também pertence àqueles que não aderiram às suas ideias.

Na última semana, uma jovem paranaense de dezesseis anos chamada Ana Júlia Ribeiro foi elevada, por alguns homens barbados, ao panteão dos heróis após fazer um discurso emocionado, na Assembleia Legislativa do Paraná, em defesa das ocupações das escolas. Ana Júlia é uma jovem com o discurso bem-articulado, mas cheia de teorias insensatas na cabeça; seu discurso é vazio e tolo, coisa de adolescente que está começando a descobrir que o mundo é mais complexo que seu próprio quarto.

Para começar, Ana Júlia é a ponta visível de um movimento político que não reconhece a legitimidade da democracia representativa; não aceitou o impedimento da ex-presidente Dilma e não aceita nem a PEC 241, nem a Reforma do Ensino Médio – medidas discutidas, ou em discussão, pelo parlamento democraticamente eleito. Suas palavras foram engendradas por partidos ressentidos pelos rumos tomados pelas instituições nacionais. Sua virtude é saber repetir, com emoção e lágrimas, a indignação postiça de seus tutores e revesti-las com a fantasia palatável da “luta pela educação”.

Apesar de ser ré confessa de educar-se exclusivamente através dos meios de comunicação (é que os livros já estão fora de moda), Ana Júlia falou muito em “senso crítico”. Porém, senso crítico não é coisa para amadores; na mão de pessoas inábeis, torna-se uma metralhadora giratória que acerta a tudo e a todos. O excesso de senso crítico é inimigo da inteligência.

Eis a prova: abusando do direito de falar bobagens, Ana Júlia lembrou do jovem que foi assassinado na semana passada por um colega de movimento, dentro de uma escola ocupada, e convidou os deputados que a ouviam, como representantes do Estado, a olharem suas mãos “sujas de sangue”. Pelo que se apurou, dois adolescentes estavam tomando droga sintética dentro de uma escola ocupada, desentenderam-se e um deles, de dezessete anos, matou o outro a facadas ali mesmo.

Será que o Estado e seus representantes são culpados da morte do adolescente Lucas Eduardo?

Possivelmente, sim, mas não pelos motivos insinuados por Ana Júlia. Se o Estado tem culpa por essa morte, é por não combater com maior sagacidade o tráfico e o uso de entorpecentes (que partidos políticos que apoiam as ocupações de escolas querem descriminalizar); é por não ter utilizado primeiro a tentativa de diálogo e, na sequência, a Polícia Militar para desocupar imediatamente as escolas, restituindo-as a professores e alunos interessados na conclusão dos estudos (medida que os ocupantes das escolas evidentemente rejeitam); é por não ter insistido no valor da representatividade democrática e das instituições parlamentares (que os movimentos de ocupação de escolas não reconhecem); por não ter conseguido manter vivos na convivência pública os valores da família e da obediência à lei (que os movimentos de ocupação, a bem da verdade, deploram como “valores burgueses”); o Estado é responsável por ter tido excessiva complacência com desmandos, com violações à lei e com invasões de bens públicos; por permitir que adolescentes, penalmente inimputáveis e civilmente incapazes, tomassem as escolas e recebessem ordens remotas de movimentos políticos que querem ver o circo pegar fogo.

A culpa que o Estado tem pela morte do adolescente esfaqueado dentro de uma escola pública ocupada no Paraná é a mesma culpa que pesa sobre os ombros do policial bombeiro que dormiu no plantão enquanto manifestantes insensatos tocavam fogo no quarteirão.

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