"Acho que em qualquer época eu teria amado a liberdade; mas na época em que vivemos, sinto-me propenso a idolatrá-la"
(Tocqueville)

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Quão novo é o Ano-Novo

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As decorações de Natal são os melhores sinais de que o ano está chegando ao fim (ou de que a Economia vai mal, no caso da ausência delas). Em uma sociedade que tenta cada vez mais estancar a espiritualidade/religiosidade do resto da vida ordinária, as festas de fim de ano são umas das poucas que ainda conservam fortes valores simbólicos para todos os brasileiros. Os demais feriados (em inglês, “holiday” originalmente significava “dia santo”) hoje significam mero dia de descanso para o trabalhador (o qual lamenta profundamente quando caem em um domingo).

Desses dias santos, três especificamente ainda me são caros. São eles a Páscoa, o Natal e o Réveillon, os quais eu “come-moro” ativamente. Assim, o chocolate, a rabanada e o bacalhau são, não nego, os principais motivos das comemorações.

Mas esqueçamos, por ora, a Páscoa e o Natal e nos concentremos nessa data tão estranha que é o Ano-Novo.

Por que, mesmo nos considerando tão “civilizados”, longe de todas as superstições, continuamos encarando os anos ciclicamente, fazendo planos para o ano que vem como se não fossem dias idênticos ao do ano em que estamos?

Ciclo

A Natureza nos dá pistas do transcendental em tudo o que observarmos. A passagem do tempo de forma cíclica na forma de dias, estações do ano, na renovação da vida, é um desafio à segunda lei da termodinâmica. Em vez de simplesmente decair, tudo parece renascer, em uma mesma forma ou outra, assim como os anos. Daí que o Réveillon chega e serve como “momento infinito” entre dois dias comuns. As pessoas saem daquele momento histórico em que se encontram fisicamente para celebrar esse poder transcendental que impede que tudo termine no Nada.

Porém todas as datas especiais estão perdendo seu valor como símbolo de transcendentalidade, renovação e superação para serem apenas mais um dia de “festa” ou de descanso. Aniversário, Natal, Réveillon e quaisquer outros eventos ficam cada vez mais tão rebaixados a datas comuns que tudo o que pensamos é no que iremos comer em cada uma dessas datas (ou sou só eu que já estou aguando por uma boa rabanada e panetones mil?). E isso tem um preço. E é que o tempo não passa. Os dias deste anos são os mesmos do ano que se passou. E do outro, e do outro. Se os dias serão os mesmos, não temos por que fazer nada de diferente, de melhor. Por que vemos tantos homens de 30 anos de idade agindo como se tivessem 12? Porque os anos não passaram pra ele. Aqueles tantos aniversários, de 13, 18 ou 30 anos foram iguais a todos os outros desde que ele nasceu. Só mudou a mamadeira de leite para a de cerveja.

Não há ritos de passagem, não há marcação do tempo. Qualquer amadurecimento se dá somente em um nível pessoal. Algumas pessoas “se tocam” que são adultas quando se veem com uma família para sustentar, ou quando lhe jogam alguma outra grande responsabilidade nas mãos. Mas é uma situação pessoal, individual, que força ela a ver que “o tempo passou”. E muitas vezes mesmo essa potencial situação crítica de mudança não gera efeito algum, amortecida que chega ao seu destinatário. Para todas a intempéries da vida, o Estado-papai está lá para dar uma ajuda. São mil bolsas, ninguém precisa se precaver contra nada. Casamento é uma sociedade como qualquer outra. Filhos, o Estado provê tudo, a culpa não é sua. Não precisa estudar pois há aprovação automática, depois as cotas e, se nada der certo, há uma infinidade de bolsas.

nanny

Nada parece ter consequências, mas tem. Nosso amigo de 30 anos, quando acordar, será tarde para muitas das oportunidades que já se passaram e ele não viu pois ainda estava com os olhos de um garoto mimado de 12 anos. Mas antes tarde do que mais tarde. O ano que vem será, sim, um novo ano.

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