"Acho que em qualquer época eu teria amado a liberdade; mas na época em que vivemos, sinto-me propenso a idolatrá-la"
(Tocqueville)

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As Faces da Verdade

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Se há um tema que me fascina desde pequeno é a Análise do Discurso. Claro que eu nem sabia que era isso que eu estava fazendo quando interrompia o professor pra apontar que o que ele estava dizendo não batia com o que o professor da outra matéria afirmara.

Mas o que era essa análise que eu fazia e que atrapalhava tanto a vida dos professores? Bem… Inicialmente, tudo o que a gente afirma tem que ter uma coerência interna. Um escrito não pode desmentir a si mesmo. Assim, se eu digo para você, leitor, que tudo que eu digo é verdadeiro e logo depois afirmo que não existe verdade, você certamente não vai querer ler mais nada do que eu escrever. Para que perder seu tempo, afinal?

Não existe verdade

Acontece que a boa mentira vem embalada pra presente, cheia de laços e fru-frus que impedem a gente de reconhecer a incoerência de imediato. Então eu não digo que meu discurso é falso, eu digo que o meu discurso não pode ser submetido a um critério de verdade ou coerência lógica, pois toda verdade é parcial e a lógica também seria uma teoria e, portanto, parcial. E se você discorda de mim, isso é apenas a sua opinião.

Além da coerência interna, todo discurso deve ter coerência externa. Ele deve ser compatível com outros conhecimentos que temos e, principalmente, com os fatos, com a realidade concreta. Se eu lhe digo que os seres humanos evoluíram de animais aquáticos e, portanto, devem ser capazes de viver debaixo d’água, não há nada de ilógico. Mas não precisa ser um Darwin para saber, por experiência própria inclusive, que não é bem assim que as coisas funcionam.

Entretanto, a avaliação da coerência externa não é das mais simples, podendo demandar vários planos de confrontação, tendo em vista a própria inesgotabilidade do que é externo ao discurso. E, de novo, esse trabalho de confrontação fica muito mais difícil quando embalado pra presente (de grego). Vejam esta passagem de um livro de (anti)filosofia: “o não-ser é a condição de possibilidade do ser, e a dialética é o processo de ausentar a ausência”.

Fale isso na frente de uma plateia de universitários e haverá uma ovação interminável, já que certamente ninguém entendeu nada. Porém, se eu lhe dissesse que para algo existir, o nada deve “existir” antes, todo mundo iria me chamar de maluco, no mínimo. Ou, mais diretamente, se eu dissesse que as coisas surgem “do nada”, da inexistência, e que pelo simples fato de meu bolso estar vazio é que começou a surgir dinheiro dentro dele, é bem capaz que me internassem. Ou me elegessem Presidente, vai saber.

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